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CGNA e SDOP na Saipher ATC

Atualizado: 29 de jul.

Representantes do Subdepartamento de Operações (SDOP) e do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) estiveram em visita à Saipher ATC para se aprofundar e discutir todos os detalhes do A-CDM, em funcionamento, desde 2019, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O grupo foi composto pelo Ten Cel Av Marcelo Franklin Rodrigues, Comandante do CGNA, Major Av Rafael Domingos Rodrigues, do SDOP, o Major Av Raphael Ribeiro Nogueira Barbosa (CGNA) gestor de ATM, o Cap Av Felipe Lopes Silva (CGNA), Gerente do projeto Airport Collaborative Decision Making (A-CDM), no Brasil, e o Ten Eng André Luiz Elias Melo, do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), especialista em indicadores.

Durante três dias, eles acompanharam apresentações do A-CDM feitas por Elias Fernandes, da Saipher ATC, sobre o histórico e conceito do projeto, indicadores de performance (KPIs), todos os detalhes e características do sistema. Houve debates e comparações entre o que foi implantado no Brasil e o que funciona na Europa, onde o EUROCONTROL, organização europeia para segurança da navegação aérea, é o responsável pelo A-CDM.

O Diretor de Operações da Saipher ATC, Fred Boratto explicou que o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea é um dos mais importantes players do A-CDM. “Aqui no Brasil, a sua participação está relacionada ao gerenciamento de fluxo de tráfego aéreo (ATFM). Trata-se de um participante ativo e que interage no dia a dia, sistemicamente, com o sítio. Ele pode, por exemplo, inserir medidas de fluxo diretamente pelo TATIC FLOW e a sequência de partidas ser imediatamente modificada no A-CDM do aeroporto.

Fred considera a visita um reforço da importância do SDOP e do CGNA no processo. De acordo com o diretor, o trabalho desenvolvido por eles tem um alto grau de complexidade, pois precisam estar atentos não apenas à situação atual dos aeroportos, mas também precisam ter uma visão mais antecipada possível do equilíbrio entre capacidade e demanda de todo o espaço aéreo. O TATIC A-CDM provê um grau muito maior de previsibilidade para o aeroporto e para o ATFM, que oferecerá ganhos exponenciais quando houver a adesão de outros aeroportos ao conceito.

“Imagine um voo que vai de Guarulhos a Brasília e de lá para Manaus, por exemplo. Se Brasília tiver A-CDM, se houver um atraso em Guarulhos antes de ir a Brasília já se saberá que aquele voo provavelmente não chegara no horário e já será possível fazer uma alocação diferente de pátio.” Fred acrescenta que a grande mudança do A-CDM é escapar do caos e enxergar o todo, a fim de atuar para solucionar os problemas. “Outro ponto importante é a capacidade de medição da efetividade de medidas, permitindo distinguir uma variação normal de uma sazonal e seus eventuais efeitos colaterais visando assim uma gestão mais eficaz”, ressalta.

Sobre os indicadores, apresentados com todas as suas funcionalidades aos visitantes, o Diretor destaca: “Um indicador sozinho geralmente não revela a verdade, mas com vários KPIs temos um cenário muito mais propício para a tomada de decisões, para constatação da sua efetividade, do quanto foram efetivas e se houve efeitos colaterais” reforça o diretor.



A visita

Nos dois primeiros dias de visita, os representantes do SDOP, CGNA e ICEA tiveram contato com detalhes do A-CDM, discutiram a evolução para o futuro e as possibilidades a serem exploradas pelo sistema. No terceiro dia, houve uma explanação sobre os mais de 20 indicadores de performance (KPIs) que estão sendo monitorados, como por exemplo: Missed TSAT, Take of Without TSAT Issued, Adherence to Planned Arrivals, Departure OTP (EOBT), entre outros.

Após a imersão sobre o A-CDM, o grupo também visitou a Torre de Controle do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, assim como o Centro de Controle Operacional (CCO) do aeródromo. Houve uma apresentação da GRU Airport para os visitantes e na oportunidade eles também puderam falar com os controladores de tráfego aéreo e equipe responsável pelo aeroporto.



Major Av Rafael Domingos Rodrigues, SDOP

“A visão sobre o A-CDM é a melhor possível, especialmente, para trabalharmos com a previsibilidade nos aeroportos. A partir do momento em que todos estiverem conscientes de que a decisão tem que ser colaborativa e quando as companhias estiveram totalmente inseridas no processo, juntamente com o aeroporto e com todos os elos, entendemos ser essencial uma expansão do A-CDM para outros aeroportos do Brasil. Assim teremos uma maior previsibilidade da nossa malha aérea, de como acontecem as chegadas e saídas nos principais aeródromos do país.

Foi excelente poder ter um briefing com quem desenvolveu de fato a ferramenta, sobre tudo o que foi pensado para que ela fosse concebida, quais critérios foram utilizados e quais indicadores foram gerados.

Foi bom também para sugerirmos opções de indicadores que possam dar uma visão mais operacional e algumas mais estratégicas. Sem colaboração, não conseguimos ter a previsibilidade. Quando olhamos os aeroportos da Europa, vemos que isso funciona muito bem, pois todos incorporam bem a questão da colaboração. A decisão de um elo faz diferença nos outros, ou seja, ela tem que ser tomada com a opinião de todos. Consideramos que a ferramenta ainda está em implantação no Aeroporto Internacional de São Paulo e certamente será o modelo para outros aeroportos no Brasil. Estamos caminhando para isso.”




Ten Cel Av Marcelo Franklin Rodrigues, Comandante do CGNA


“Do ponto de vista do CGNA, conseguimos enxergar a necessidade que o DECEA percebeu ao investir nesse projeto. Começou em Guarulhos, mas a ideia é realmente expandir. O A-CDM é para nós um ganho muito grande, afinal conseguimos ver_ com os indicadores que a Saipher apresentou_, que é possível ter uma consciência situacional muito maior em um aeroporto que tem o A-CDM.

São várias informações que não temos disponíveis nos demais aeródromos. Isso ajuda o CGNA na criação de novos indicadores, no acompanhamento das medidas e ver se o que foi aplicado no controle do fluxo tem sido eficaz. No Aeroporto Internacional de São Paulo, foi importante vermos como a ferramenta está sendo manuseada e como os players estão lidando com ela, para de alguma forma, os ajudarmos. O A-CDM é muito útil não só para o fluxo do tráfego aéreo, que é o maior objetivo do CGNA, mas para previsibilidade e pontualidade do aeroporto e das empresas e eficiência operacional como um todo. Além disso, ainda existe a questão da segurança. A partir do momento em que você sabe de tudo o que está acontecendo, a segurança da operação também aumenta.

Em Guarulhos, temos voos internacionais e domésticos e daqui conseguiremos fazer ligações com os próximos aeroportos que receberem o A-CDM. Acredito que a conscientização sobre a importância da colaboração será mais rápida nos próximos aeroportos, uma vez que enxergarão o aeroporto de Guarulhos como um modelo que deu certo. A visita foi muito importante para que o CGNA esteja mais próximo e tenha uma visão maior do funcionamento da ferramenta e consiga enxergar cada vez melhor as demandas.”

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